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A Flower in the Space 🌸

Uma história feita pela Memy (Tamara) — capítulo único

Esta é a história que a Memy criou como mangá para mim. Eu a guardo aqui com todo o carinho para que possa ser lida em qualquer dispositivo. Página 1 de 6.

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Página 1 do mangá A Flower in the Space, feito pela Memy

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A história original 🌹

Escrita pela Memy (Tamara Diaz Sanz, @aflowerinthespace)

Em um mundo onde já não restava nada do que conhecemos, completamente destruído pela humanidade, já não existia esperança. O planeta Terra havia perdido todas as suas espécies, já não havia animais, não havia árvores e nem existiam as flores. A única coisa que restava eram escombros do que um dia havia sido uma civilização que levou tudo à ruína por seu extremo egoísmo.

No entanto, um homem jovem havia conseguido sobreviver. Seria imune a tudo? Seria especial? Inclusive podia voar a grande velocidade; era um astronauta que, desde o colapso do mundo, nunca mais pôde tirar seu traje. Ainda assim, ele não se considerava afortunado; pelo contrário, para ele era uma desgraça viver entre os resíduos do que um dia foi seu lar. Vivia desoladamente, caminhando pelo mundo com suas reservas de água e oxigênio. Não. Não vivia, sobrevivia, e seus dias, sem motivação, tornavam-se cada vez mais e mais pesados.

Como suas reservas não durariam para sempre, decidiu abandonar o planeta Terra, lugar que lhe provocava uma extrema raiva e tristeza. Preferia morrer no além, no espaço.

Começou a voar, à deriva, sem encontrar nada, e cada vez suas ilusões se apagavam mais e mais.

Quando já não suportava mais o desespero e a incerteza, decidiu finalmente tirar seu capacete e apertado traje para dar fim ao seu sofrimento; no entanto, ao longe vê algo que brilha de forma tênue por puro acaso, isso captou sua atenção e, pela última vez, decidiu ver do que se tratava.

Ao vê-la, não sabia se estava alucinando ou imaginando coisas. Seus olhos lacrimejaram de emoção: tratava-se de uma pobre e pequena flor semi murcha, que ainda vivia. Mas como? O que fazia uma flor no espaço? Fazia muitíssimos anos que havia visto a última no planeta Terra. Era uma rosa vermelha que cada vez perdia mais suas cores e sua vida, e também se encontrava à deriva, como ele. Mas, ainda murcha e mal com vida, ele ficou cativado pela beleza de voltar a ver uma flor quando já não existia nenhuma na face da Terra.

O astronauta pensou em como podia ajudá-la; era a única coisa que queria, havia se tornado sua motivação. Antes de morrer, queria poder ajudar a flor; pensava em como podia lhe dar vida novamente. A primeira coisa que tentou foi lhe dar suas reservas de água — não precisava tirar o traje para fazê-lo. Melhorou um pouco seu brilho e sua cor, mas ainda parecia sem vida, e onde estavam não havia luz solar que a iluminasse.

Ele sabia o que tinha que fazer: devia levá-la à Terra de alguma maneira, mesmo que lhe custasse a vida. As reservas de oxigênio eram cada vez menores e o preocupava não chegar a tempo.

Segurou delicadamente a flor e a protegeu enquanto voava o mais rápido possível em direção à Terra. Durante o voo, o astronauta não parava de se fazer perguntas. Como a flor havia chegado até ali? Como se manteve viva por tanto tempo entre tantas adversidades? Os voos pareciam rápidos, mas duravam dias em relação ao tempo da Terra, então cada vez sentia mais e mais apego pela flor, que cuidava com todo o seu ser. Inclusive chegou a pensar que a amava, porque nunca havia sentido algo assim por algo ou alguém. Ele desejava poder falar com ela, saber sua história, conhecê-la, mas claramente era impossível e isso o entristecia — mas não importava, porque não precisava dela, apenas a amava.

Ao se aproximar da Terra, começou a notar que a flor murchava cada vez mais. O astronauta entrou em pânico, não entendia por quê; depois percebeu que o oxigênio da Terra era extremamente tóxico, inclusive para a flor.

Ao aterrissar e vê-la morrendo, não podia suportar; não podia suportar perder a única coisa que lhe havia dado tanta felicidade e esperança, ainda que por um breve tempo. Ele acreditava que, ao menos uma última vez, a rosa precisava e devia florescer.

Agora já tinha a luz solar e as reservas de água; só lhe faltava o oxigênio puro.

O astronauta, sem hesitar, tirou seu capacete com oxigênio e o colocou sobre a flor. O custo era a sua morte. Enquanto via o pôr do sol e sentia a brisa do vento mortal em seu rosto depois de tantos, tantos anos, seu cabelo se movia e suas mãos sentiam o calor da rosa pela última vez. Sentia paz depois de tanto tempo, mas ele já estava condenado. Encerrou a rosa no vidro de seu capacete, rogando pela esperança de vê-la florescer graças ao oxigênio que restava, mas não era suficiente — não conseguia florescer.

O astronauta se deitou no chão esperando sua morte; abraçou com todo o seu amor e afeto o capacete transparente que envolvia a flor, com lágrimas no rosto, já que toda a sua tentativa de ajudá-la havia sido em vão e não podia salvar sequer a única coisa que havia amado na vida… mas então, naquele momento, aos poucos a rosa foi tomando forma, suas pétalas se tornaram firmes e se abriram cada vez mais, sua cor havia se tornado o vermelho mais intenso e brilhante — havia conseguido florescer. O que faltava para que florescesse? Não era só o sol, a água nem o oxigênio; foi o amor do astronauta.

Seus olhos se fechavam lentamente enquanto respirava o oxigênio tóxico, mas mesmo em sua morte, era seu momento mais feliz: ver florescer o que mais amava, o que mais havia cuidado na vida. Seus olhos, enquanto se fechavam, lacrimejavam de emoção, e ele tocava o vidro que o separava da flor mais bela e única que havia visto. Desejava poder tocá-la pela última vez em seu estado mais belo, mas só protegia o vidro para que ela pudesse viver o máximo possível. Mas, para o seu espanto, o vidro foi se quebrando aos poucos; ele se assustou, não era possível — o que estava acontecendo? O capacete se quebrou por completo. Seria a flor que queria e fazia isso? E entre o brilho dos vidros e o pôr do sol, a rosa caiu em sua mão. O astronauta sorriu porque soube que a flor queria a mesma coisa: estar ao seu lado; também o amava. Tocou suas pétalas em seu estado mais belo enquanto novamente começavam a murchar. Ambos se apagavam e morriam juntos, e em seu último suspiro, abraçou com todas as forças a flor, que soltava suas pétalas que voavam com a brisa do vento.

Podemos sobreviver por muito tempo, mas a única forma de VIVER é encontrar o amor.

Dedicado a você, Toti, meu astronauta.

Sobre esta obra

A Flower in the Space é uma obra original da Memy (Tamara Diaz Sanz, @aflowerinthespace) — tanto o mangá quanto o texto narrativo. Eu a guardo neste site porque cada quadro e cada palavra fazem parte da história que escrevemos juntos.

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